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A PESQUISA COMO CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

9 de Janeiro de 2012

Estamos vivendo num contexto em que a missão do educador é a de instigar o pensar e o aprender. Acabou a era do “instrucionismo”, em que o professor chegava à sala de aula, “despejava” o que sabia para os seus alunos e cobrava-lhes esse conteúdo através de avaliações rotineiras e estéreis. Entre aluno e professor deve haver um intercâmbio intenso e rico que, por si só, gratifique a ambos.

Há que considerar que não existem verdadeiros processos de conhecimento sem conexão com as expectativas e a vida dos aprendentes. Dessa forma, é preciso substituir a pedagogia das certezas e dos saberes prefixados por uma pedagogia da pergunta, do melhoramento das perguntas e do acesso às informações, enfim, por uma pedagogia da complexidade, que consiga atuar com conceitos abertos à surpresa e ao imprevisto.

Assim, considerando isso como uma premissa verdadeira, a principal função de uma educação comprometida com essa visão é fazer seus partícipes – alunos e professores – pensarem e aprenderem. Conforme Gadotti (1999, p. 6), “é um momento novo e rico de possibilidades. Por isso não podemos falar de futuro e do futuro da educação, sem certa dose de cautela…”. Cautela, perplexidade e crise de paradigmas, constitutivos do dia a dia, não podem, no entanto, constituir um álibi para o imobilismo.

Nesse sentido, os alunos precisam sair do papel de coadjuvantes, de receber as respostas prontas sobre suas dúvidas, e assumir o protagonismo, dedicando-se à pesquisa e à leitura e comprometendo-se com o seu desenvolvimento intelectual, para que, assim, possam construir esse novo saber, calcado num processo democrático e crítico de uma aprendizagem envolvente, dinâmica e, acima de tudo, otimista e estimulante. Além da leitura – instrumento fundamental para a aquisição de um vocabulário básico –, a pergunta, a indagação, o diálogo, o debate e a discussão organizada constituem a base do hábito de pensar.

O educador, por sua vez, também deve comprometer-se com a construção do conhecimento dos seus alunos. Nesse processo, mais importante do que “despejar” uma infinidade de conteúdos de qualquer maneira, seguir o conteúdo programático e ministrá-lo de qualquer forma (sociedade extensiva do conhecimento), é que o trabalho do educador seja eficaz, e não apenas eloquente, isto é, a qualidade do professor precisa crescer perceptivelmente (sociedade intensiva do conhecimento).

Por isso, o educador deve buscar instrumentos para a sua formação intelectual, capazes de levá-lo a superar o senso comum. Gramsci (1968) dizia que o novo intelectual deve ter mais do que somente eloquência, deve ter conhecimentos da vida prática e possuir o papel de construtor e organizador.

Ser um profissional da educação, hoje, é, em primeiro lugar, perceber a necessidade urgente de transformar-se, reconstruir-se e, assim, refazer a profissão. Para isso, não basta conhecimento transmitido, reproduzido. É essencial saber reconstruir conhecimento: o professor deve ser um eterno aprendiz.

É necessário vermos o professor como figura estratégica, ou seja, sua centralidade ocupando lugar formativo e, consequentemente, classificando-se como figura singular. Desse modo, compromisso ético, dedicação contagiante e envolvente, visão técnica, capacidade sensível e habilidade sempre renovada da estrutura são características essenciais a esse profissional, que deve mostrar-se como um porto seguro ao aluno, sobressaindo-se aí a rota de construção da autonomia.

Maturana (2001) utiliza o conceito de “autopoiese” para designar a propriedade de todo ser vivo de autoformação e de auto-organização, no sentido de captar e interpretar a realidade externa de maneira própria. Por sermos seres autorreferentes, temos da realidade externa uma visão reconstruída, não uma cópia reproduzida (CAPRA, 2002). Maturana chama isso de “ponto de vista do observador”, para designar, não que o mundo externo necessite ser observado para existir, mas que, não havendo acesso direto, só podemos ter do mundo externo visão reconstruída a partir de dentro, de teor hermenêutico-interpretativo.

Considerando essa nova visão do que é a aprendizagem – pensar – aprender é processo reconstrutivo, tipicamente de dentro para fora; vemos, então, que vai ao encontro das argumentações teóricas de fundo biológico.

Conhecimento é dinâmica reconstrutiva complexa, não linear, que exige a constituição do sujeito capaz de autonomia. Nada entra na mente que não seja interpretado pelo sujeito. Com isso, depara-se que, para haver um resultado objetivo da aprendizagem, a subjetividade deve ser parte integrante dos processos interpretativos, notoriamente autorreferentes.

A natureza humana possui uma estrutura desenvolvimentista que pode ser demonstrada pelo binômio caracterizado, por um lado, pelo equipamento herdado que se define como menos inflexível, embora sempre voltado ao vir a ser, à dialética entre modos de ser e modos de vir a ser e, por outro lado, pela face cultural e histórica, marcada, principalmente, pela habilidade de conhecer e aprender. Destaca-se aqui que uma minoria dominadora tenta impor o respeito à sua cultura a uma maioria dominada. Entretanto, esta mais recalcitra e manifesta-se quanto maior for sua capacidade de pensar, de refletir e de promover o diálogo social em todos os setores da sociedade, o que deve ser oportunizado através de uma educação democrática e que oportunize inclusão social.

Todo o processo do conhecimento, arcabouço pedagógico, deve ser montado para oportunizar a noção inspiradora de Paulo Freire: EDUCAR É EXERCER INFLUÊNCIA SOBRE O ALUNO DE TAL MODO QUE ELE NÃO SE DEIXE INFLUENCIAR, apenas aceitando-se, o que ocorre na dialética da influência: a influência libertadora. Habermas (1989) chama a atenção para a necessidade de propiciar procedimentos que assegurem a formação democrática da opinião e da vontade e que promovam uma identidade política ancorada em uma nação de cidadãos.

Seja qual for a perspectiva e o matiz a serem tomados pela educação do futuro, esta será sempre contestadora e tenderá a superar possíveis limites impostos, seja pelo mercado, seja pelo Estado. Isso significa a formatação de um padrão educacional muito mais voltado para a transformação social do que para a transmissão cultural. A atualidade impõe a informação como dimensão de tudo, transformando, de forma profunda, a organização da sociedade. No início do século XX, a teoria da Escola Nova propunha que a educação fosse instigadora da mudança social e, ao mesmo tempo, pudesse se transformar, porque a sociedade estava em mudança.

Contudo, o que deve ser incessantemente objetivado nesse caminho do pensar/aprender é uma relação pedagógica autêntica, que é a reconstrutiva, política, autopoiética, complexa, não linear, na qual dois sujeitos se encontram e defrontam, influenciam-se e se envolvem, em dependência e autonomia, tendo como horizonte diminuir as dependências e incentivar, motivar, fomentar as autonomias.

Dentro dessa perspectiva, vê-se a imprescindibilidade do conhecimento para a sobrevivência de todos. Tal é a função das instituições que se dedicam ao conhecimento e sua difusão, apoiadas nos avanços tecnológicos. A educação do futuro deverá, pois, ser mais democrática e menos excludente. É também importante ressaltar que essa educação terá um papel determinante na criação da sensibilidade social, para reorientar a humanidade, com experiências efetivas de aprendizagem, criando uma sensibilidade solidária.

A aprendizagem é, antes de mais nada, um processo corporal, o qual deve estar acompanhado por uma sensação de prazer. Reencontrar, pois, a educação significa colocar ênfase numa visão da ação educativa como ensejo e produção de experiências de aprendizagem. Cumpre enfatizar, então, que o conhecimento só emerge em sua dimensão vitalizadora quando tem algum tipo de ligação com o prazer.

Pesquisa – elaboração própria – envolvimento – avaliação – orientação e relação pedagógica são alguns dos pontos que devem ser destacados como linha de frente para que seja possível uma aprendizagem eficiente e eficaz, já que estamos chamando a atenção para o fato de que o principal objetivo da educação é a formação do sujeito que se envolve no binômio: PENSAR E APRENDER. Para Paulo Freire, “LER” a realidade era precisamente questioná-la, confrontar-se com ela, para poder mudar, intervir. Quem não sabe pensar acredita no que pensa; mas quem sabe pensar questiona o que pensa, abandona a autoridade do argumento e prefere o argumento da autoridade. Essa tendência só escancara o quanto saber pensar é fundamental e decisivo em sociedade.

De acordo com Bova (1998, p. 244), as instituições humanas são inerentemente conservadoras. Lei, religião, costumes sociais, todas as instituições humanas estão enraizadas na necessidade de prover base firme e estável para as interações sociais. Como sistemas biológicos, as sociedades humanas buscam fazer o melhor possível para evitar mutações e guardam as formas básicas, intactas. […] Mas há uma instituição humana que não é conservadora. Esta instituição é a ciência. Por sua própria natureza, a pesquisa científica está sempre mudando a sociedade ao descobrir novas informações, inventar novas ideias. Enquanto todas as outras instituições são essencialmente voltadas para trás, tentando preservar o passado, a pesquisa científica está inerentemente voltada para a frente, buscando o futuro, tentando achar o que poderia existir depois da próxima colina.

O conhecimento científico não dispõe de discernimento ou princípio decisivo de cientificidade porque tudo não passa, como diz Habermas, de “pretensão de validade” (1989). Logo, todas as teorias necessitam ser analisáveis, reflexivas, como nos induz a perspectiva da teoria crítica: só pode ser científico o que for discutível, formal e politicamente. “Discutível” não sinaliza para a licenciosidade da legitimidade de qualquer lampejo apresentado ou sugerido. Pelo contrário, busca trazer ao centro das preocupações a autoridade do argumento, no qual podemos reunir tanto a habilidade de produzir ciência quanto o desafio da cidadania. Quem sabe aí teríamos a “PEDAGOGIA DA AUTORIDADE DO ARGUMENTO” e, num outro nível, “POLÍTICA SOCIAL DO CONHECIMENTO”, no sentido do desafio de forjar povo rebelde, capaz de tomar seu destino em suas mãos e de exercer efetivo controle democrático. Destacamos que o interesse pedagógico na autoridade do argumento está na junção entre qualidade formal e qualidade política.

Já a autoridade do argumento, no plano formal, expressa-se na habilidade de reconstruir conhecimento com cientificidade adequada, detendo a devida coerência, consistência e inovação, resultando em textos bem elaborados. Ressalta-se aí a capacidade teórica e metodológica, manejo dos métodos e técnicas de pesquisa, desenvolvimento de plataformas teóricas adequadas e profundas, habilidade epistemológica, no sentido de saber questionar o conhecimento, trânsito saudável entre polêmicas e discussões, leitura, em especial, contraleitura permanente e atualizada, participação dos questionamentos de fronteira da ciência.

O professor dotado de qualidade formal traz para o aluno o que há de melhor em sua área de conhecimento e, principalmente, faz com ele participe dessa dianteira. Essa pode ser a principal característica do professor envolvido com o projeto do fazer pensar/aprender do seu aluno, pois este sentir-se-á motivado para o seu crescimento intelectual, tendo em vista a exitosa preparação do seu mestre.

A autoridade do argumento, no plano político, aparece na construção da autonomia crítica e autocrítica, abrindo o leque de intervenção alternativa, formação do sujeito capaz de história própria, comprometimento com a ética do conhecimento, ligação adequada entre teoria e prática e importância do acesso popular ao saber pensar, para qualificar tanto mais a cidadania. A habilidade do saber pensar representa a aprendizagem que se confunde com a vida.

No presente e no futuro, o grande desafio é “cuidar da aprendizagem”, ou seja, garantir a aprendizagem e, para isso, o que está faltando é a presença maiêutica do pedagogo, isto é, possibilitar um processo dialético e pedagógico, em que se multiplicam as perguntas a fim de obter, por indução dos casos particulares e concretos, um conceito geral do objeto em questão. Nesse contexto, é exigido um compromisso do professor, empenhado na forja do sujeito capaz de história própria e que o torna a ponta de lança da cidadania popular.

A participação ativa do aluno, então, é a razão de ser da educação. Cabe ao professor a tarefa difícil para a grande maioria: orientar e avaliar. Compete ao aluno, por sua vez, pesquisar e elaborar. É responsabilidade do professor estar presente e não permitir o abandono, por possibilidades múltiplas, da referência curricular. Elegendo-se temas e dando-se conta deles da forma mais intensa possível, implicando leituras assíduas que irão resultar numa elaboração inteligente, respeitando princípios teóricos, dar-se-á uma apresentação do trabalho, mostrando uma aprendizagem eficaz.

Pesquisa implica projeto coerente, metodológico e teórico: o que se quer mostrar e como se vai fazer isso, aonde se quer chegar e como se chega lá, que problema se quer enfrentar e como isso será feito passo a passo. Por outro lado, ressaltamos que não é boa didática “resolver todas as dúvidas” de imediato e encurtar o raciocínio. Em termos de teoria de emancipação, “sentir-se perdido” é etapa fundamental e pedagógica, porque leva à iniciativa própria, sempre sob orientação.

Os alunos precisam aprender a pesquisar com o apoio dos livros didáticos disponíveis, comparando uns com os outros, distinguindo maneiras diferentes de analisar o mesmo assunto, descobrindo pontos de vista diferenciados de autores e mesmo planos teóricos de fundos divergentes. O currículo intensivo é o que privilegia a pesquisa e a elaboração própria porque são expedientes autopoiéticos de aprendizagem, além de formativos, ou seja, visam a duplo objetivo interligado: habilidade metodológica e teórica de reconstruir conhecimento e formação qualitativa com vista à cidadania.

Como vemos, conhecer é, basicamente, como vemos, questionar, não afirmar, constatar, verificar; aprende-se a ler autor para ser autor; aprende-se a argumentar, deixando de lado o argumento de autoridade e construindo a autoridade do argumento.

Como temos procurado ressaltar, o professor deve ter o fito de implantar e saber pensar como maneira fundamental de aprender à medida que se aprende a argumentar, fundamentar, colocar no papel somente aquilo para o qual temos base científica. Para isso, iniciativa própria é a palavra-chave. O professor deve colocar tantas dúvidas, que o aluno finalmente descubra que não adianta ficar perguntando. Esse processo, que pode ser doloroso, auxilia a formar a habilidade de saber procurar, perguntar, observar, organizar-se para isso, ser persistente, sobretudo saber resolver com autonomia, em nome da autonomia que se quer formar. Quem não se sentiu perdido não aprendeu a enfrentar desafios, principalmente desafios inovadores que parecem não caber no que se aprendeu antes.

Os alunos precisam conviver com um ambiente crítico e civilizado, contra-argumentação e compreensão, avaliação honesta e suporte afetivo. Construção da autonomia não se coaduna com fraudes que encobrem problemas, escamoteiam má aprendizagem, “tapam o sol com a peneira”. O objetivo último é instigar o aluno que sabe desconstruir e construir conhecimento com autonomia. Se o professor souber orientar e avaliar, o aluno perceberá o que é argumentar, fundamentar, questionar.

É preciso entender que o aluno aproveita melhor seu tempo, em especial, aprende melhor, se vier para a sala de aula estudar, não para assistir aulas. O professor precisa saber convencer o aluno de que deve estudar, pesquisar, elaborar. Kant menciona que o homem é o que a educação faz dele, através da disciplina, da didática, da formação moral e da cultura. O aluno que aprende a estudar não depende da aula. Tem nisso enorme apoio para sua autonomia. Pobre do aluno que só funciona com aula, porque não vai além de copiar e reproduzir.

Nesse sentido, é fundamental recuperar o direito de aprender do aluno, convencendo–o que de se trata de estudar, não somente de escutar aula e fazer avaliação. A grande obra do professor é, pois, instigar o aluno para que ele aprenda a arte de pensar e questionar.

Fontes consultadas

ASSMANN, H. Reencantar a educação – rumo à sociedade aprendente. Petrópolis: Vozes, 1998.
BECKER, F. Educação e construção do conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2001.
BOVA, B. Immortality: How Science is extending your life span, and changing the world. New York: Avon Books, 1998.
CAPRA, F. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. São Paulo: Cultrix, 2002.
DEMO, P. Professor do futuro e reconstrução do conhecimento. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.
GADOTTI, M. Desafios para a era do conhecimento. Revista Viver Mente & Cérebro. Coleção Memória da Pedagogia. 2002 p. 7-15.
______. História das ideias pedagógicas. 8. ed. São Paulo: Ática, 1999.
GRAMSCI, A. Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
ILLICH, I. Sociedade sem escola. Petrópolis: Vozes, 1973.
MACLUHAN, H. M. Mutations 1990. Paris: Name, 1969, p.35-58. Tradução Moacir Gadotti e Mauro Angelo Lenzo. In: Educação Municipal, São Paulo: Cortez, número 5, novembro de 1989.
MATURANA, H. Cognição, ciência e vida cotidiana. Belo Horizonte: Ed. UFMG (Humanitas), 2001.
SUCHODOLSKI, B. A pedagogia e as grandes correntes filosóficas. Lisboa: Livros Horizonte, 1972.

A EDUCAÇÃO COMO DISPOSITIVO PARA A FELICIDADE

25 de Fevereiro de 2011

Tenho dito a mesma frase em minhas conferências em todo o País e, principalmente, quando as realizo em instituições educacionais (cursos técnicos, escolas de ensino médio, universidades, etc.): “A felicidade é a realização das potencialidades do ser humano e, portanto, educar um jovem pode ser muito fácil, desde que mostremos a ele – COM AMOR – objetivos atingíveis e que, assim, ele encontre um sentido para seus objetivos existenciais”.

Embora não seja fácil ter “objetivos existenciais” aos 16 anos, a educação (entendida não apenas como a aprendizagem formal na escola, mas o contexto familiar e as experiências afetivas e relacionais) é a potência para a construção de um ser que percebe um futuro e almeja seu crescimento pessoal e profissional. É através da educação dada pelos pais, de seu exemplo e de sua conduta, que o jovem se espelha e constrói as suas primeiras referências.

Nesse sentido, não há dúvidas de que educar é uma tarefa sublime e significa oferecer muito mais do que uma boa estrutura formal de ensino. Educar é, sobretudo, ensinar a viver, a enfrentar os obstáculos, a fazer escolhas adequadas, ensinar a desejar, a acreditar em si mesmo e, talvez o mais importante: ensinar a sonhar e a acreditar no futuro. E todo esse processo tem início (e continuidade!) no contexto familiar.

Certa vez, fui abordado por um professor que me relatou que o seu filho estava terminando o ensino médio e queria ser músico - seguir a carreira de músico, ensinar música -, mas ele, como um pai severo, responsável e racional, queria que o filho fosse engenheiro, pois acreditava que o “guri” tinha um futuro promissor. Falei para esse pai que ele (como professor) deveria abandonar sua profissão, pois assim como estava impedindo que seu filho atingisse as suas potencialidades, provavelmente o faria com seus alunos. Pedi a ele que lesse Erich Fromm, em especial o livro A Arte de Amar, refletisse e se reposicionasse.

Atualmente, sabemos que não é uma educação rígida, e sim uma educação baseada na entrega, na dedicação total e no amor, que pode orientar os jovens em suas escolhas. Saber escolher é crucial! Mas como fazer a escolha “certa”? O autoconhecimento pode ser uma excelente oportunidade! Quem eu sou? Do que gosto? Quais minhas habilidades? Qual meu perfil? O segredo para a conquista da realização pessoal e profissional é fazermos aquilo que tem sentido para nós, aquilo que nos motiva, aquilo que nos gratifica. Os sonhos dos pais são sonhos dos pais, isso significa que devem ser realizados por eles e não através dos filhos.

Assim, a função parental é potencializar o que há de bom nos filhos. Quem tiver dúvida sobre isso, faça a seguinte pergunta para seu filho quando ele disser que deseja seguir determinada carreira: Por que você quer isso para você? Peça que ele formule três respostas razoáveis para ele mesmo, não para você. Então, peça para que ele vá até a frente do espelho e responda. Fique assistindo às argumentações. Depois, sim, faça sua reflexão como pai ou como professor e perceba se as respostas são consistentes e mostram a essência desse jovem ou se são apenas respostas superficiais.

Ser pai e/ou ser educador não é como ir ao trabalho e cumprir uma rotina. É estar presente, acompanhar, sorrir, abraçar, ouvir, ouvir, ouvir e conversar. É, sobretudo, amar. E o amor deve ser entendido como cuidado e orientação. Afinal, o maior desejo dos pais, antes de uma escolha acertada ou do sucesso profissional e financeiro, é educar para a felicidade, ou seja, contribuir para que seus filhos sejam seres humanos realizados e felizes. As demais conquistas são apenas consequência…

Uma pessoa deve pedir aumento de salário? Minha resposta é: não! Por quê?

7 de Dezembro de 2010

Porque de acordo com a minha experiência, de mais de 30 anos como empresário, aprendi que quando um colaborador pede aumento, há algum equívoco na relação “empresa x trabalhador”. Afirmo isto, porque algo não está em equilíbrio: ou a pessoa está se supervalorizando (pois desconhece a realidade do mercado de trabalho e o nível de preparação necessário para um profissional da sua área e de seus concorrentes); ou pode estar “desperdiçando” seu talento em uma empresa que ainda não aposta nas pessoas como foco central de sua existência.

Uma organização que prioriza as pessoas e as compreende que o grande diferencial competitivo dos dias atuais, percebe sua folha de pagamento mensal como um grande investimento. E se orgulha, por possibilitar que as pessoas sejam valorizadas não apenas através do reconhecimento no trabalho, mas também, financeiramente. Afinal, os recursos materiais obtidos através do trabalho, podem (e devem!) se tornar possibilidades de desenvolvimento do colaborador: possuir boas condições de vida, prover uma boa educação para os filhos e para si mesmo (através de cursos e capacitações), poder viajar e conhecer outras culturas, enriquecendo a sua experiência de vida e ampliando os seus horizontes.

Sem considerar o efeito motivador que existe a partir da valorização do trabalhador, pois sabemos que, colaboradores motivados são uma vantagem competitiva para qualquer empresa. Motivação gera criatividade, que vem da emoção, da vontade, da alegria de estar trabalhando em uma atividade que traz satisfação, realização e recompensa (financeira e emocional).

Para melhor esclarecer o que falo, vamos, didaticamente, pontuar em oito questões.

1) Como abordar o chefe para falar sobre aumento de salário?
Este é um momento delicado, pois gera muita expectativa. Não é simplesmente uma conversa para falar de recursos financeiros, mas um pedido de reconhecimento. O colaborador deve estar ciente dos argumentos que fundamentarão o seu pedido e o empregador ciente do que deve argumentar para justificar o seu posicionamento, favorável ou não ao pedido.

Pensando na atitude do colaborador, acredito que o ideal é sempre solicitar um horário para a conversa. Se for uma grande empresa, com um ambiente formal, o melhor é marcar uma hora com a secretária do chefe e adiantar o assunto. Ser franco e assertivo neste momento, significa dar a possibilidade de o chefe se preparar para tratar do assunto, ele poderá solicitar informações junto ao setor em que o colaborador atua e informações ao Departamento de Recursos Humanos, enfim, estará preparado para recebê-lo e tratar o assunto com objetividade.

Isto fará com que a conversa mantenha o seu foco e evitará surpresas e/ou constrangimentos desnecessários. Lembrando que cada organização possui a sua cultura e uma forma de lidar com esta questão (na maioria das organizações é algo pouco comentado), é importante destacar que o efeito desta conversa pode ser promissor ou devastador, dependendo de como o assunto será conduzido por ambas as partes.

2) Como perder o melindre de pedir um aumento?
Podemos entender o melindre como a delicadeza no trato, ou seja, uma pessoa que é gentil e polida, mas se magoa facilmente e pode, muitas vezes, ter dificuldades de expor seus pensamentos e sentimentos. Perder o melindre é conseguir ser assertivo, ou seja, ter a capacidade de expor de maneira clara e sem máscaras – o que pensamos, sentimos ou queremos, como ter voz ativa e assumir a responsabilidade diante de determinadas situações, respeitando a posição do outro.

Ser assertivo é ser humilde, mas não submisso consigo mesmo ou com as demais pessoas. Por isso, toda pessoa que deseja crescer profissionalmente precisa desenvolver essa habilidade, tão fundamental para o progresso da carreira.

A assertividade pode ser considerada uma aptidão inata ou uma habilidade a ser aprendida e praticada em nossa experiência de vida, até se tornar espontânea. Envolve: consciência de quem somos (autoconhecimento), estratégia e preparação (a perspicácia para falar e agir no momento exato), paciência (para conseguir mudar velhos hábitos e aprender novas atitudes) e prática (para exercitar o que foi aprendido). Todo o ser humano, trabalhador, líder, pai, mãe, enfim todas as pessoas devem desenvolver a assertividade, pois ela facilita a comunicação e as relações humanas trazendo felicidade para si próprio e para os demais do seu entorno.

3) O que devemos considerar antes de pedir aumento?
São inúmeras as questões que precisam ser consideradas: por que mereço aumento? Por que a empresa me daria aumento? Algum colega que possui o mesmo cargo ganha mais do que eu? Fiz algum curso que ampliou a minha capacidade profissional depois que ingressei na empresa? Se eu sair da empresa ganharei mais em outra? A empresa realmente precisa de mim? Quais as habilidades que possuo que julgo ser o meu diferencial? Quais as atitudes que tenho que me destacam profissionalmente? Se todas estas questões estiverem perfeitamente respondidas e o colaborador não recebeu aumento por iniciativa da empresa, ele deve avaliar se o melhor não é buscar uma nova oportunidade de trabalho. E se receber o aumento, deverá manter o seu nível profissional e aperfeiçoá-lo ainda mais.

4) Como saber se já está na hora de pedir um aumento de salário?
Não acredito que exista uma hora “certa” para isso. Penso que um profissional maduro e coerente acaba sentindo a necessidade de renegociar seu salário, caso não haja iniciativa organizacional. Contudo, como já falamos, deve ter seus argumentos bem claros, e fazer uma avaliação precisa, pois geralmente, este pedido foi motivado por alguma situação: algum colega ganha mais do que eu e faz a mesma tarefa? A empresa solicitou que eu faça alguns cursos e eu, prontamente os fiz, por minha conta, ou seja, já estou mais qualificado do que quando entrei e não tive aumento real de salário? Ou ainda, outras empresas valorizam mais um profissional com o meu cargo e pretendo ficar onde os recursos financeiros forem maiores?

Porém, é importante dizer que as escolhas de uma carreira não devem estar pautadas em curto prazo e nem somente no salário, pois são vários os fatores que contribuem para a qualidade de vida no trabalho. Muitas vezes, determinadas empresas oferecem salários maiores, mas oferecem um ambiente com riscos à saúde, com um péssimo clima organizacional, sua cultura promove o adoecimento físico e mental, etc. Então, de nada adianta ganhar mais e gastar com médico e psicoterapeuta. É óbvio que o salário é um fator importante, mas não por si só.

5) Qual a melhor hora para falar com o chefe sobre o assunto?
Já li alguns teóricos que afirmam que o melhor dia é terça-feira, depois das onze horas da manhã. Contudo, acredito que a melhor hora é a melhor hora para o chefe, ou seja, é aquele momento em que o colaborador escolhe através do bom senso: um dia mais tranquilo, um horário em que ele não esteja tão ocupado, um período (tempo de empresa) em que já é conhecido o suficiente e já mostrou a qualidade do seu trabalho e o seu nível de comprometimento com a organização, etc.

Como já mencionei, o ideal é não existir a necessidade de ter que pedir um aumento, mas se acontecer, que a relação a partir desta conversa, possa seguir de forma madura e respeitosa. Na verdade, a relação de trabalho se resume a uma relação de troca, e como em toda troca, deve ser justa. Esta é a busca constante na relação empregatícia: a satisfação das partes. Quando uma delas acha que dá mais do que recebe, acontecem os conflitos de valores. Já quando há a ideia de equilíbrio entre o que se dá e o que se recebe, há consenso, reciprocidade e satisfação.

6) Como um profissional pode avaliar se está ganhando um salário adequado?
Definir um valor em números para algo tão subjetivo como o valor de uma pessoa para uma organização, eis uma grande habilidade: poder quantificar o que não tem medida! E é exatamente assim: como dar um valor, um “preço” para uma pessoa?

Outro conceito relativo é o de “ganhar pouco x ganhar muito”, ou seja, se um colaborador possui um salário considerado baixo e acaba realizando vários equívocos e erros no trabalho, causando prejuízos à empresa, seu salário deixa de ser baixo e passa a ser muito alto. O contrário também é verdadeiro: se um trabalhador ganha um salário acima da média dos demais e evita que erros e prejuízos à empresa aconteçam, o seu salário é baixo!
Atualmente, o mercado de trabalho é que avalia se uma pessoa ganha um salário adequado. No mundo capitalista é o mercado que determina os salários. O que ocorre com frequência é que a maioria das pessoas tem muita pressa em ser valorizada financeiramente. A ansiedade não é proporcional à velocidade do “fazer por merecer”. A organização precisa de um tempo para avaliar o trabalho do profissional e reconhecê-lo no âmbito salarial.

Um detalhe importantíssimo no quesito salário é a confiança que a empresa deposita no colaborador. Embora seja um critério profundamente subjetivo, é algo muito valorizado. E, também, a atitude do colaborador, ou seja, seu preparo emocional (a chamada Inteligência Emocional) para lidar com pessoas e situações difíceis em seu dia a dia. O colaborador deve ter uma atitude capaz de promover um ambiente saudável e feliz, no qual as pessoas se sintam bem e motivadas para o trabalho.

O relacionamento interpessoal e a maturidade emocional das pessoas é outro grande diferencial competitivo de uma empresa. Colaboradores emocionalmente inteligentes promovem bons relacionamentos, que promovem um bom ambiente para trabalhar e um bom ambiente amplia a produtividade! Pessoas com esse perfil fazem a diferença, e são muito valorizadas.

7) Quando devemos evitar o pedido de aumento?
Em um de meus livros, “Todas as suas decisões são 2X1”, escrevi sobre o embate: razão x emoção. Embora se saiba que o homem é um ser integral, didaticamente, podemos fazer esta cisão para identificarmos o aparato psíquico que motiva determinada ação.

Cientificamente, podemos afirmar que a pessoa pede aumento de salário quando tem um interesse maior, uma vantagem maior fora da empresa. Afinal, se ele se sentisse em vantagem na empresa, não colocaria o seu salário em questão, certo?

Contudo, são vários os aspectos que se entrelaçam na complexa decisão de seguir adiante ou permanecer no emprego atual. Muitas pessoas acham uma decisão fácil, mas não é, pois deve estar pautada estrategicamente. Muitos colaboradores cometem equívocos e se prejudicam em sua carreira: nossas decisões devem ser a longo prazo. Continuar se qualificando é uma decisão primordial, pois significa que há um investimento e um aprimoramento em si mesmo e por consequência, na carreira profissional. Atualmente, o conceito de empregabilidade enaltece esta capacidade de uma pessoa manter-se desejada pelo mercado de trabalho. Para estas pessoas, jamais faltará trabalho!

Por outro lado, se um funcionário está supervalorizado no mercado e continua na empresa porque ela está precisando muito dele e ele possui mobilidade, é acreditar que a pessoa sabe estabelecer objetivos a longo prazo, que ela reconhece o que a empresa já fez por ela, e se sente compelido a retribuir. Infelizmente, este tipo de atitude é uma exceção nos dias atuais. A questão ética envolve o comprometimento (de ambas as partes: empresa e colaborador), mas estamos em uma época em que o individualismo impera e a busca de suprir as próprias necessidades fazem da alteridade uma utopia.

8) Como reagir se o pedido for negado?
Este talvez seja um dos momentos mais significativos para compreender o que é Inteligência Emocional e profissionalismo. O colaborador tem que se preparar muito antes de pedir um aumento de salário, como já mencionei, e deve, sobretudo, estar preparado para receber um não e ter a capacidade avaliar e compreender o ponto de vista da empresa.

Quando a pessoa sente que é o momento de realizar esta conversa, deve estar preparada para a satisfação e para a frustração. Afinal, a relação de trabalho deve continuar (ou não, dependendo do desenrolar da conversa) e não ser afetada por isso, é um risco que se corre e que deve ser previsto. Como prosseguir? Tudo dependerá da relação que se construiu até o momento e da habilidade emocional dos envolvidos em poder manter uma relação profissional, acima de tudo.

Nem sempre será possível “sobreviver” na empresa após um pedido negado, pois a situação afeta a autoestima e a motivação do colaborador, que mesmo compreendendo os argumentos, é humano, e se sentirá desmotivado. Sem contar, que o pedido pode motivar o empregador a pensar na possibilidade de substituí-lo por conta da reação mais esperada: falta de motivação para trabalhar. Portanto, mesmo sendo um pedido aparentemente simples, ele envolve muitas questões emocionais e mexe com os sentimentos mais profundos de uma pessoa.

Por fim, saliento novamente que, o autoconhecimento é imprescindível para o desenvolvimento pessoal e profissional do ser humano, saber o que quer, identificar seus desejos e motivações, ser capaz de desenvolver a autocrítica e perceber o que falta para chegar onde deseja, é o esperado de quem planeja o futuro e busca o desenvolvimento e a realização pessoal e profissional.

Possuir a racionalidade necessária para estabelecer metas e objetivos, a perspicácia para reconhecer as oportunidades e a humanidade para considerar o outro e as relações humanas como essenciais para a realização de uma pessoa, significa ser inteligente emocionalmente. Portanto, o sucesso é usar a emoção ao nosso favor e extrair dela a vitalidade e a força necessária para buscar aquilo que nos impulsiona e nos faz feliz.